{"id":378,"date":"2021-09-17T10:02:43","date_gmt":"2021-09-17T13:02:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/?p=378"},"modified":"2021-09-17T10:02:43","modified_gmt":"2021-09-17T13:02:43","slug":"os-ultimos-dias-de-zequinha-e-lamarca-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/2021\/09\/17\/os-ultimos-dias-de-zequinha-e-lamarca-2\/","title":{"rendered":"Os \u00faltimos dias de Zequinha e Lamarca"},"content":{"rendered":"<p>No ano de 1971, um grupo do Ex\u00e9rcito, comandado pelo ent\u00e3o major Nilton Cerqueira, e o delegado do Esquadr\u00e3o da Morte paulista, S\u00e9rgio Paranhos Fleury, comandaram a chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Paju\u00e7ara\u201d, altamente secreta, que tinha por objetivo eliminar o capit\u00e3o Carlos Lamarca e os \u00faltimos remanescentes de seu grupo guerrilheiro, do qual faziam parte Luiz Ant\u00f4nio Santa B\u00e1rbara, Jos\u00e9 Campos Barreto, Iara Iavelberg, entre outros. Na pequena cidade de Brotas de Maca\u00fabas, juntaram-se ao grupo os irm\u00e3os de Zequinha, Otoniel e Olderico Campos Barreto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_275\" aria-describedby=\"caption-attachment-275\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-jnews-750x536 wp-image-275\" src=\"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/08_Monumento_Zequinha_Lamarca-750x536.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"536\" srcset=\"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/08_Monumento_Zequinha_Lamarca-750x536.jpg 750w, http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/08_Monumento_Zequinha_Lamarca-120x86.jpg 120w, http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/08_Monumento_Zequinha_Lamarca-350x250.jpg 350w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-275\" class=\"wp-caption-text\">A bela est\u00e1tua em homenagem a Zequinha, carregando o capit\u00e3o Lamarca em seus \u00faltimos dias.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Iara Iavelberg j\u00e1 havia sido morta em um cerco na cidade de Salvador, em 20 de agosto, quando uma semana depois, no dia 28, o cerco foi feito \u00e0 casa dos Barreto, em Buriti Cristalino, vilarejo de Brotas de Maca\u00fabas. Depois de breves tiroteios, estavam mortos Luiz Santa B\u00e1rbara e Otoniel Barreto, esse morto covardemente com um tiro nas costas.<\/p>\n<p>O cerco a Lamarca e Zequinha foi mais complicado. Eles ouviram os tiros, a cerca de um quilometro e meio de dist\u00e2ncia, e se evadiram pelo sert\u00e3o, com o Ex\u00e9rcito e Fleury nos seus encal\u00e7os. A saga dos dois seguiu por quase 20 dias, e ambos ficavam cada vez mais enfraquecidos, castigados pelas condi\u00e7\u00f5es do Sert\u00e3o, sem alimenta\u00e7\u00e3o ou \u00e1gua limpa para beber. O capit\u00e3o Lamarca ficou t\u00e3o desidratado, que teve de ser carregado \u00e0s costas por Zequinha Barreto em algumas ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em reportagem da Revista Veja, de 25\/04\/1979, citada por Orlando Miranda em seu belo livro \u201cObscuros Her\u00f3is de Capric\u00f3rnio\u201d (Global Editora, 1987), durante a fuga, \u201cLamarca e Zequinha percorreram perto de trezentos quil\u00f4metros em suas \u00faltimas semanas de vida (&#8230;) vagaram desorientados em sua fuga. Foram vistos assim no Engenho Pau D\u2019Arco, a doze quil\u00f4metros de Buriti, onde Lamarca disse a um grupo de trabalhadores: \u2018Meu nome \u00e9 Lamarca. Meu inimigo \u00e9 o governo. Estou precisando de ajuda\u2019. Os camponeses o ajudaram e, depois, passaram a informa\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia. Seis quil\u00f4metros adiante, em Tr\u00eas Reses, descansaram numa propriedade dos av\u00f3s de Zequinha. V\u00e1rios dias depois, pediram e n\u00e3o obtiveram ajuda de um m\u00e9dico de Ibotirama, a cem quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Foram vistos ainda, perto de Brejinhos: mais tarde, em Canabrava e, tr\u00eas dias antes de sua morte, estiveram em Carna\u00faba, situada a vinte e cinco quil\u00f4metros do local de onde partiram. A essa altura, atacado pela asma e debilitado pelo esfor\u00e7o, Lamarca era carregado \u00e0s costas por Zequinha (&#8230;). Por fim, os dois seriam localizados em Pintada, perto de Carna\u00faba.<\/p>\n<h3><strong>O \u00daLTIMO DIA DE ZEQUINHA E LAMARCA, 17 DE SETEMBRO DE 1971<\/strong><\/h3>\n<p>No dia 17 de setembro de 1971, as equipes \u2018Charles\u2019 e \u2018C\u00e3o\u2019, do grupo do major Nilton Cerqueira conseguem encontrar e encurralar o capit\u00e3o Carlos Lamarca e Jos\u00e9 Campos Barreto, o Zequinha, na localidade de Pintada.<br \/>\nO capit\u00e3o, deitado sob a sombra de um p\u00e9 de bara\u00fana, \u00e1rvore t\u00edpica do sert\u00e3o, usava uma pedra como travesseiro. Zequinha montava guarda, mas nada p\u00f4de fazer. O cerco contava com dezenas de pra\u00e7as do Ex\u00e9rcito, armados com pistolas, fuzis e metralhadoras. Ambos receberam v\u00e1rias rajadas de tiros, e morreram no local.<\/p>\n<p>Em 1973, afrontando a ditadura, a CNBB (Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil), realizou a leitura de um relat\u00f3rio \u2013 an\u00f4nimo \u00e0 \u00e9poca por quest\u00f5es de seguran\u00e7a \u2013 enfatizando o desrespeito do governo militar \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, e cita as torturas e assassinatos praticados pela ditadura. Entre os casos de \u201ccombatentes sumariamente executados\u201d, o documento cita os nomes de Carlos Lamarca e Jos\u00e9 Campos Barreto.<\/p>\n<p>Zequinha Barreto faria 25 anos em 21 de outubro de 1971 (nasceu em 1946), sendo morto dias antes, ainda aos 24 anos completos, muito jovem para destino t\u00e3o cruel, com toda uma vida de luta e resist\u00eancia pela frente.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o Lamarca, tamb\u00e9m muito jovem, faria anivers\u00e1rio no dia 23 de outubro (nascido em 1937), tendo 33 anos quando tombou pelas m\u00e3os do pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito que serviu heroicamente, mas que abandonou ao ver as atrocidades praticadas contra os brasileiros, desde o Golpe de 1964.<\/p>\n<p>As circunst\u00e2ncias do cerco e morte de Carlos Lamarca e Zequinha Barreto permanecem obscuras. Em 1996, numa reportagem do jornal O Globo, (08\/07\/1996), Emiliano Jos\u00e9, autor do livro \u201cLamarca, o Capit\u00e3o da Guerrilha\u201d, disse ter certeza de que Lamarca e Zequinha foram v\u00edtimas de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria. \u201cO que dissemos no livro \u00e9 que Lamarca era um homem marcado para morrer. A nossa base era o sentimento de \u00f3dio que a linha dura do regime militar cultivava em rela\u00e7\u00e3o ao Lamarca\u201d.<\/p>\n<p>A reportagem fala com mais detalhes sobre as suspeitas de Emiliano Jos\u00e9: \u201cSegundo ele, os sete tiros descritos no laudo, sendo tr\u00eas pelas costas, comprovam que o grupo do major Nilton Cerqueira tinha a clara inten\u00e7\u00e3o de liquidar Lamarca e seu companheiro Jos\u00e9 Campos Barreto, o Zequinha. Na opini\u00e3o do autor, a morte de Lamarca era a \u00fanica forma, na vis\u00e3o dos militares da linha dura, de vingar a deser\u00e7\u00e3o do capit\u00e3o em 1969 e o seu ingresso na luta armada\u201d. E Emiliano conclui: \u201cAs mortes de Lamarca e Zequinha foram um duplo assassinato frio e deliberado. As fotos da aut\u00f3psia de Lamarca confirmam o que j\u00e1 sab\u00edamos pelos depoimentos das testemunhas\u201d.<\/p>\n<p>Os corpos de Zequinha e Lamarca, do local onde foram sumariamente executados, foram transferidos para Oliveira dos Brejinhos, e expostos como \u2018trof\u00e9us\u2019 lembrando em muito a cena da morte do lend\u00e1rio comandante Ernesto Che Guevara, nas florestas da Bol\u00edvia, em 1967. A foto dos corpos, usada como propaganda da ditadura para aterrorizar seus opositores, tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia de dois homens contra um Ex\u00e9rcito de \u2018capit\u00e3es do mato\u2019, e da covardia de seus algozes, num efeito contr\u00e1rio ao desejado.<\/p>\n<h3><strong>MONUMENTO AOS M\u00c1RTIRES<\/strong><\/h3>\n<p>Em 17 de setembro de 2013, o bispo da Diocese de Barra, na Bahia, Dom Luiz Fl\u00e1vio Cappio, inaugurou o \u2018Memorial dos M\u00e1rtires\u2019, idealizado por ele, em mem\u00f3ria de Zequinha Barreto, Carlos Lamarca e seus companheiros que lutaram contra a ditadura e deram suas vidas por seus ideais. No local foi tamb\u00e9m colocada uma est\u00e1tua que lembra os \u00faltimos momentos de Zequinha, carregando o capit\u00e3o \u00e0s costas, em sua fuga \u00e9pica pelo sert\u00e3o.<\/p>\n<p>O monumento \u00e9 cercado por uma pra\u00e7a, anfiteatro, cantina, playground e uma fonte luminosa, e est\u00e1 localizado no distrito de Ibipetum, comunidade de Pintada, munic\u00edpio de Ipupiara, no sert\u00e3o baiano, no local onde foram mortos em 17 de setembro de 1971, h\u00e1 49 anos.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da inaugura\u00e7\u00e3o, D. Cappio tinha planos de levar para o Memorial os restos mortais de todos os que lutaram ali e na regi\u00e3o, em raz\u00e3o da resist\u00eancia \u00e0 ditadura, Lamarca, Zequinha e Otoniel Campos Barreto, e Luiz Ant\u00f4nio Santa B\u00e1rbara, al\u00e9m de outros l\u00edderes rurais de dos trabalhadores, mortos em conflitos fundi\u00e1rios na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>FONTES<\/strong>:<\/p>\n<p>ARQUIDIOCESE DE S\u00c3O PAULO, com pref\u00e1cio de D. Paulo Evaristo Arns. Brasil Nunca Mais. Um relato para a Hist\u00f3ria. 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro, Vozes, 1985.<\/p>\n<p>GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, \u00c1tica, 2003.<\/p>\n<p>JOS\u00c9, Emiliano, MIRANDA, Oldack de. Lamarca, o Capit\u00e3o da Guerrilha. 16\u00aa edi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, Global, 2004.<\/p>\n<p>MACIEL, Wilma Antunes. O Capit\u00e3o Lamarca e a VPR. Repress\u00e3o Judicial no Brasil. S\u00e3o Paulo, Alameda Casa Editorial, 2006.<\/p>\n<p>MIRANDA, Nilm\u00e1rio, TIB\u00daRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo. Mortos e desaparecidos pol\u00edticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado. S\u00e3o Paulo, Boitempo Editorial, 1999.<\/p>\n<p>MIRANDA, Orlando. Obscuros Her\u00f3is de Capric\u00f3rnio. Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria brasileira. S\u00e3o Paulo, Global, 1987.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, M\u00e1rcio Am\u00eandola de. Zequinha Barreto. Um jovem revolucion\u00e1rio na guerra contra a ditadura. S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, 2010.<\/p>\n<p>WIKIP\u00c9DIA, a Enciclop\u00e9dia Livre. Verbete sobre Carlos Lamarca, consultado em: https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Carlos_Lamarca . Acesso em: 16 set. 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_273\" aria-describedby=\"caption-attachment-273\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-jnews-360x504 wp-image-273\" src=\"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/08_Jos\u00e9_Campos_Barreto_foto_02-360x504.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"504\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-273\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Campos Barreto<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p><strong><em>Quem foi Zequinha Barreto<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Campos Barreto nasceu em 21 de outubro de 1946, em Brotas de Maca\u00fabas (BA), filho mais velho de uma fam\u00edlia de 7 irm\u00e3os. Ap\u00f3s completar 12 anos, por volta de 1959 foi enviado pelos pais a um Semin\u00e1rio em Garanhuns, Pernambuco, pois era desejo de seus pais que se tornasse padre. Ap\u00f3s dois anos, foi transferido para Campina Grande, na Para\u00edba, e anualmente visitava os pais e irm\u00e3os nas f\u00e9rias. Ap\u00f3s cerca de 5 anos no Semin\u00e1rio, decidiu abandonar a vida religiosa, e passou a trabalhar com minera\u00e7\u00e3o de cristais na regi\u00e3o de Buriti Cristalino, junto a seu segundo irm\u00e3o, Olderico.<\/p>\n<p>Em 1964, j\u00e1 perto dos 18 anos, Zequinha decidiu mudar-se para S\u00e3o Paulo, fixando-se em Osasco, na casa de um tio. Naquele ano, alistou-se no Ex\u00e9rcito para o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, e serviu no Quartel de Quita\u00fana, mesmo local onde o Capit\u00e3o Carlos Lamarca era sediado. Chegou \u00e0 patente de cabo, mas mesmo desejando a carreira militar, foi dispensado do Ex\u00e9rcito ap\u00f3s o servi\u00e7o obrigat\u00f3rio.<br \/>\nEm Osasco, Zequinha Barreto passou a militar nos movimentos oper\u00e1rio e estudantil, entre 1965 e 1968, chegando a presidir o CEO \u2013 C\u00edrculo Estudantil Osasquense, e a participar ativamente da vida sindical. Trabalhou em v\u00e1rias ind\u00fastrias de Osasco, entre as quais Lonaflex, Brown-Boveri, e finalmente na Braseixos.<\/p>\n<p>Nas comemora\u00e7\u00f5es do 1\u00ba de Maio de 1968, Zequinha liderou um grupo de oper\u00e1rios que foi \u00e0 Pra\u00e7a da S\u00e9 e expulsou os sindicalistas pelegos e o governador bi\u00f4nico (nomeado pela ditadura) Abreu Sodr\u00e9 do palanque montado. Zequinha discursou, defendendo a luta armada contra o regime.<\/p>\n<p>Em 16 de julho de 1968 Zequinha Barreto foi um dos l\u00edderes da grande Greve de Osasco, que culminou com a sua pris\u00e3o e de dezenas de trabalhadores, al\u00e9m da interven\u00e7\u00e3o no Sindicato dos Metal\u00fargicos, com presen\u00e7a na cidade do pr\u00f3prio Ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho. Zequinha resistiu na f\u00e1brica da Cobrasma, amea\u00e7ando colocar fogo num tonel de gasolina, retardando a entrada do Ex\u00e9rcito no local, e colaborando para a fuga de centenas de companheiros. Mas foi preso e permaneceu por quase 100 dias na pris\u00e3o, entre DOPS e at\u00e9 no Carandiru, sofrendo torturas e maus tratos. A ditadura j\u00e1 o considerava um \u2018terrorista\u2019, mas sem provas, Zequinha foi solto no dia 25 de outubro de 1968. Pouco depois sua pris\u00e3o foi novamente decretada, mas ele j\u00e1 havia entrado para a clandestinidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 na resist\u00eancia \u00e0 ditadura, Zequinha integrou a VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria), na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Posteriormente, teria integrado a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria) no Rio de Janeiro, e o MR-8, sua \u00faltima organiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 ao lado do lend\u00e1rio capit\u00e3o Carlos Lamarca. Fugiu com Lamarca e um grupo guerrilheiro para o sert\u00e3o da Bahia, na sua terra natal, onde foi morto pela repress\u00e3o em 17 de setembro de 1971, aos 24 anos de idade. Foi enterrado no Cemit\u00e9rio do Campo Santo, em Salvador, no dia 23 de setembro, mas seus restos mortais foram retirados do local, e o corpo de Zequinha dado como desaparecido desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_274\" aria-describedby=\"caption-attachment-274\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-jnews-360x504 wp-image-274\" src=\"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/08_Lamarca_DEOPS-360x504.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"504\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-274\" class=\"wp-caption-text\">Lamarca<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p><em><strong>Quem foi Carlos Lamarca<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Carlos Lamarca nasceu em 23 de outubro de 1937 na cidade do Rio de Janeiro. Filho de fam\u00edlia humilde, com 7 irm\u00e3os, viveu uma vida simples no Morro de S\u00e3o Carlos, bairro do Est\u00e1cio, no sub\u00farbio do Rio de Janeiro. Em 1955 ingressa na Escola Preparat\u00f3ria de Cadetes, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, transferindo-se em 1957 para Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende-RJ.<\/p>\n<p>Em 1960 Lamarca forma-se Aspirante a Oficial na AMAN, estabelecendo-se no 4\u00ba Regimento de Infantaria de Quita\u00fana, em Osasco, onde se destaca como um dos melhores atiradores do pa\u00eds.<br \/>\nEm 1962 foi convocado para as For\u00e7as de Paz na ONU, servindo no Canal do Suez, onde havia um conflito entre Israel, Palestina, Egito e outros pa\u00edses \u00e1rabes. Volta ao Brasil em 1963, passando a servir em Porto Alegre (RS), vendo dali o golpe de 1964.<\/p>\n<p>Em 1965 Lamarca volta ao forte de Quita\u00fana, em Osasco, onde permanece at\u00e9 iniciar uma vida dupla, integrando secretamente as fileiras de revolucion\u00e1rios contra a ditadura. Em 1967 chega \u00e0 patente de capit\u00e3o, e passa a planejar a deser\u00e7\u00e3o, juntamente com seu colega de farda, o sargento Darcy Rodrigues, que recrutava na tropa adeptos da resist\u00eancia \u00e0 ditadura. Em setembro de 1968 encontra-se com Carlos Marighela, da ALN (Alian\u00e7a Libertadora Nacional).<br \/>\nNo planejamento da fuga, Lamarca e seus companheiros, j\u00e1 integrando a VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria) planejaram pintar um caminh\u00e3o com as cores do Ex\u00e9rcito e roubar o maior n\u00famero poss\u00edvel de armas, explosivos e muni\u00e7\u00f5es do forte de Quita\u00fana, para serem usados na guerrilha. Mas, no dia 23 de janeiro de 1969 a farsa foi descoberta, quando o caminh\u00e3o foi apreendido em Itapecerica da Serra, e tr\u00eas ou quatro integrantes do grupo de Lamarca foram presos e torturados. O que mais sofreu e apanhou foi Pedro Lobo de Oliveira, ex-sargento da For\u00e7a P\u00fablica. Na imin\u00eancia de serem descobertos, Lamarca, Darcy, al\u00e9m do cabo Jos\u00e9 Mariani e o soldado Roberto Zanirato pintaram rapidamente uma VW Kombi com as cores do Ex\u00e9rcito e j\u00e1 no dia seguinte, 24 de janeiro, levaram do regimento de Infantaria de Osasco 63 fuzis FAL, tr\u00eas metralhadoras e muni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dali Lamarca entrou para a guerrilha como dirigente da VPR, atuou no Vale do Ribeira, passa a assaltar bancos para financiar a resist\u00eancia \u00e0 ditadura, participa da captura de autoridades para a troca por prisioneiros pol\u00edticos, como o sequestro do embaixador su\u00ed\u00e7o, Giovanni Bucher, em 7 de dezembro de 1970.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 197, j\u00e1 na companhia de Zequinha Barreto, Lamarca passa a integrar o MR-8 (Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro), permanecendo algum tempo no Rio de Janeiro e Salvador, tendo tamb\u00e9m a companhia de Iara Iavelberg. A fam\u00edlia de Lamarca \u2013 mulher e filhos \u2013 j\u00e1 haviam sido levados para Cuba quando ele desertou do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o Lamarca, juntamente com Zequinha e alguns companheiros tentaram iniciar um projeto de guerrilha rural no sert\u00e3o baiano, quando acabaram mortos em 17 de setembro de 1971, nas proximidades de Brotas de Maca\u00fabas, terra natal de Zequinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano de 1971, um grupo do Ex\u00e9rcito, comandado pelo ent\u00e3o major Nilton Cerqueira, e o delegado do Esquadr\u00e3o da Morte paulista, S\u00e9rgio Paranhos Fleury, comandaram a chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Paju\u00e7ara\u201d, altamente secreta, que tinha por objetivo eliminar o capit\u00e3o Carlos Lamarca e os \u00faltimos remanescentes de seu grupo guerrilheiro, do qual faziam parte Luiz Ant\u00f4nio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":275,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32,41],"tags":[44,45,36],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":379,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378\/revisions\/379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/275"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zequinhabarreto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}